O sistema canabinóide e o apetite

A   capacidade   da   maconha   em   desencadear   fome   em   seus   usuários,   ainda   que   recém-
alimentados,         é  bastante   conhecida   e   chamada   popularmente   de   “larica”.   O   apetite
direcionado para alimentos adocicados e às vezes para misturas doces e salgadas pouco
usuais (perversão do apetite).

Estudos vêm demonstrando que o THC é benéfico na indução do apetite e no combate à perda
de peso em pacientes com AIDS. Seu consumo com estes propósitos é permitido na Holanda,
Canadá, Suíça e em alguns locais dos Estados Unidos.

A ação do sistema canabinóide sobre o apetite ocorre provavelmente no hipotálamo. Estudos
em animais notaram que o estímulo do sistema nessa região provoca aumento da ingesta
(especialmente de alimentos doces), enquanto o bloqueio, leva à supressão da mesma. O
hipotálamo sintetiza um hormônio supressor do apetite, denominado leptina. A anandamida
capaz de bloquear a ação deste hormônio. Desse modo, o sistema canabinóide opera como
modulador da ação da leptina, regulando, assim, a ingestão de alimentos e o ganho de peso do
organismo.

O sistema canabinóide e a inibição do vômito

A habilidade do THC e do canabinóide sintético nabilone para controlar a náusea e o vômito
associados à quimioterapia é uma das poucas aplicações terapêuticas da substância bem
documentadas e consensuais. De fato, a ação sobre os receptores CB1 inibe o vômito, ao
passo que o bloqueio produz efeito contrário. O substrato neurobiológico e o mecanismo de
ação exato permanecem desconhecidos.

O sistema canabinóide e a dor

No século XIX, a maconha foi largamente utilizada para o alívio da dor. Recentemente, esta
propriedade   voltou   a   ser   estudada,   apesar   dos   achados   at               é  o   momento   não   indicarem
vantagens iguais ou superiores aos medicamentos já existentes.

Anandamidas e receptores canabinóides existem em grande quantidade ao longo de todo o
circuito da dor (da inervação periférica, passando pela medula espinhal e chegando ao cérebro.
Desse modo, estudos vêm demonstrando que o sistema canabinóide é capaz de diminuir a
sensibilidade à dor em doenças inflamatórias e não-inflamatórias. O bloqueio do sistema não
provoca aumento da sensibilidade à dor, sugerindo que este não está envolvido na modulação
da sua intensidade.

Há relação paralela, mas não distinta, entre o sistema canabinóide e o sistema opióide. Apesar
de atuarem em vias distintas, ambos atuam comumente em alguns locais do sistema nervoso e
parecem potencializar um ao outro.

Fonte: Site Álcool e Drogas sem Distorção

Publicado em maio 27, 2011, em Cannabis na Medicina e marcado como , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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