O THC

O Tetrahidrocanabionol (THC) é um alcalóide encontrado na resina que recobre os brotos
fêmeos do cânhamo (Cannabis sativa ou Cannabis indica). Além do THC, a resina contém
cerca de 60 compostos canabinóides, como o canabidinol e o canabinol. Todos, no entanto,
bem menos ativos que o THC.

O THC é lipossolúvel, ou seja, capaz de ser dissolvido em gorduras. A maneira mais eficaz
para   disponibilizar   a   substância   no   organismo                 é  fumando   os   brotos   da   planta,   ou
acrescentando-os a comidas gordurosas.

A anandamida

O   sistema   nervoso   central   possui   neurotransmissores   (canabinóides   endógenos),   cujas
moléculas são semelhantes à molécula de THC. Todos eles derivam do ácido aracdônico. At
o momento, três canabinóides foram identificados: a anandamida (N-aracdonil-etanolamina), o
2-aracdonilglicerol e o 2-aracdonilgliceril éter.

A anandamida  é  a mais  conhecida e  estudada. A  palavra deriva  do sânscrito e  significa
“prazer”. Na religião Veda, a maconha era chamada de ananda. A anandamida é quatro a vinte
vezes menos potente que o THC, além de agir por menos tempo no cérebro. Recentemente,
descobriu-se   que   constituintes   do   chocolate   estão   quimicamente   relacionados   com   as
anandamidas e são capazes de interação com o sistema canabinóide. Isso poderia explicar a
fissura que algumas pessoas sentem por este alimento.

Os canabinóides do cérebro são liberados em seu local de ação e inativados pela enzima
FAAH. A síntese e a liberação dos endocanabinóides são feitas por estruturas diferentes do
cérebro,   sendo   o   2-aracdonilglicerol   muito   mais   abundante   (50   a   1000   vezes)   que   a
anandamida.

Os receptores canabinóides

O   sistema   nervoso   central   humano   também   possui   receptores   específicos   para   os
canabinóides endógenos e o THC. O conjunto formado pelos receptores e neurotransmissores
constitui o sistema canabinóide endógeno.

Há dois tipos de receptores canabinóides conhecidos: o CB1, presente em todo o cérebro
(próximo às terminações nervosas de neurônios pertencentes a outros sistema) e o CB2,
localizado em tecidos periféricos, especialmente no sistema imunológico.

As áreas do sistema nervoso com maior densidade de receptores CB1 são o córtex frontal
(raciocínio,   abstração,   planejamento,   etc),   os  núcleos   da   base   (motricidade)  e   o  cerebelo
(coordenação e equilíbrio). O sistema límbico, responsável pela elaboração e expressão dos
fenômenos   emocionais,   também          é  rico   em   receptores   CB1,   especialmente   no   hipotálamo
(coordenação das manifestações emocionais), hipocampo (memória emocional e inibição da
agressividade) e giro do cíngulo (controle dos impulsos). A ausência de receptores CB1 na
medula espinhal explica a baixa toxicidade do THC quando administrado em doses elevadas.

Quanto à localização na sinapse, os receptores CB1 estão posicionados na membrana pré-
sináptica  de outros sistemas.  Isso significa  que  a  função do sistema canabinóide é a de
modular a liberação de outros neurotransmissores. Esse assunto será tratado no próximo
capítulo desta série.

Fonte: Site Álcool e Drogas sem Distorção

Publicado em maio 27, 2011, em Cannabis na Medicina e marcado como , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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