A maconha inserida na cultura popular

Droga está há décadas presente em músicas, filmes, quadrinhos e séries de TV

Capa do álbum “Catch a Fire”, de Bob Marley

A maconha está em pauta no Brasil. Nesta sexta, estreia no país o documentário “Quebrando o Tabu”, em que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso defende a descriminalização dessa e de outras drogas. Nas últimas semanas, uma série de marchas pelo país pediu o mesmo – a versão paulistana da manifestação, realizada há duas semanas, aconteceu mesmo depois de ser proibida pela justiça e foi violentamente reprimida pela polícia.

Na música, no entanto, a maconha é assunto de discussões há anos. Na década de 1970, Peter Tosh já cantava “legalize it, don’t criticize it” (em tradução livre, “legalize, não critique”). Bob Marley, por sua vez, dizia na música “Kaya” (uma das incontáveis gírias para a droga): “Well, I feel so high / I even touch the sky above the fallin’ rain” (“É, eu me sinto tão alto / Até toco o céu por sobre a chuva que cai”).

Os jamaicanos não foram os únicos. Os Beatles fizeram canções sobre o tóxico em “Got to Get You Into my Life” (composta após Paul McCartney experimentar a droga pela primeira vez) e os Rolling Stones em “Rip this Joint”. O Black Sabbath de Ozzy Osbourne também fez uma homenagem bastante explícita em “Sweet Leaf”, que começa com o som de uma tosse.

No Brasil não foi diferente: até a dupla de compositores mais famosa do país, Roberto e Erasmo Carlos, usou a maconha como fonte de inspiração. “O amor vem como nuvem de fumaça”, escreveram os dois em “Maria Joana” (clara referência ao outro apelido da droga, marijuana). Mas só Erasmo gravou.

Outras composições nacionais sobre a maconha são “Malandragem Dá um Tempo”, de Bezerra da Silva (“Vou apertar, mas não vou acender agora”) e “O Mal É o que Sai da Boca do Homem”, de Pepeu Gomes (“Você pode fumar baseado / Baseado em que você pode fazer quase tudo”). Além, é claro, de praticamente toda a discografia do Planet Hemp, banda que revelou Marcelo D2.

Clique nos links ao lado para ver as letras de dez músicas clássicas sobre a droga.

A maconha em outras mídias

Os hippies foram os precursores na inserção da maconha nos meios de comunicação. Uma das primeiras aparições da droga ocorreu nos quadrinhos, em 1968, com o lançamento da primeira história dos Fabulous Furry Freak Brothers, trio de maconheiros inventado pelo cartunista Gilbert Shelton – que esteve no Brasil durante a Flip 2010.

A influência dos personagens serviu de inspiração para o cartunista brasileiro Angeli criar Wood & Stock, a dupla de amigos hippies que, após décadas de abuso de drogas e álcool, passou a fumar orégano escondida dos familiares.

As HQs também estimularam a dupla de humoristas Richard “Cheech” Marin e Tommy Chong a criarem os hippies Cheech & Chong, que nos anos 1970 e 80 lançaram álbuns e protagonizaram filmes em que pregavam o amor livre e o consumo da cannabis.

O sucesso de ambos foi tanto que, antes de se separar, em 1987, o duo fez uma participação especial no longa-metragem “Depois de Horas”, de Martin Scorsese. Posteriormente Tommy Chong interpretou o velho hippie Leo no seriado “That 70’s Show” – que não deixou de ser uma versão do próprio Chong.

Foto: Reprodução

Jeff Bridges como o “Dude” em “O Grande Lebowski”

Nos anos 1990, o grande representante da classe foi o hippie Jeffrey Lebowski, mais conhecido como “The Dude” – ou “O Cara” -, papel de Jeff Bridges na comédia dos irmãos Coen “O Grande Lebowski”, de 1998. Na trama, o velho hippie tenta solucionar um crime enquanto divide seu tempo em fumar maconha, jogar boliche e beber white russian – um drink que mistura vodca, licor de café e creme de leite.

No final da década, o cineasta Stanley Kubrick, autor de “Lolita” e “Laranja Mecânica”, filmou uma discussão regada a maconha protagonizada pelos então casados Nicole Kidman e Tom Cruise no drama “De Olhos Bem Fechados”. Na cena em questão, a personagem de Kidman monta um cigarro utilizando a erva e fuma junto com o marido.

Os anos 2000 foram marcados por uma nova leva de maconheiros nas telas. No lugar dos hippies, os estúdios colocaram pessoas comuns, como os jovens de classe média de “Segurando as Pontas” (2008) e a viúva falida que passa a cultivar maconha em “O Barato de Grace” (2000) – cuja mesma premissa foi utilizada anos mais tarde na série de TV “Weeds”.

No cinema nacional a maconha rendeu ótimas cenas no sucesso “Tropa de Elite”, de 2007, sendo a principal delas a apreensão feita pelo oficial do BOPE André Matias (papel de André Ramiro) na faculdade de direito em que estudava – denunciando a venda e o consumo da erva no ambiente acadêmico.

Mas foi na internet que o público brasileiro divertiu-se à custa de uma usuária incomum. No curta “Tapa na Pantera”, de 2006, a atriz Maria Alice Vergueiro interpreta uma senhora que afirma consumir a droga há 30 anos – e não acredita sofrer nenhum mal por causa disso, mesmo sofrendo lapsos de memória e cometendo deslizes diante da câmera.

Augusto Gomes e Guss de Lucca, iG São Paulo | 03/06/2011 09:12

Publicado em junho 7, 2011, em Cultura Cannábica e marcado como , , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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