1001 utilidades – Papel

A maior contribuição do canhâmo para a economia e ecologia mundiais poderia sem dúvida se dar como parte de um retorno ao uso de papéis feitos com ervas. Metade de todas as árvores derrubadas é usada no fabrico de papel, e o desmatamento gera uma grave crise ambiental, debilitando nosso ecosistemas, a camada superior do solo e bacias hidrográficas, bem como aumentando o efeito estufa.

As árvores vem sendo utilizadas para a fabricação de papel somente a partir do séc. XIX. Antes disso, ele era feito com trapos e com plantas de colheita anual como o papiro e o canhâmo. Além disso, anualmente é produzido um total estimado de 1,5 bilhões de toneladas de resíduos agrícolas, e esse é um refugo que poderia ser transformado em papel, em especial mediante a adição de uma fibra longa como a do canhâmo. Com os preços do papel em alta acelerada e a frequente escassez do produto, chegou a hora de voltar os olhos para as hoje chamadas fontes “alternativas” de polpa de celulose.

Os preços do papel de canhâmo na década de 1990 foram bem mais altos que o papel de polpa de celulose, mas comparavel aos dos papéis feitos com outras fibras anuais como o algodão.

A grande dificuldade é que somente um punhado de manufaturas domésticas é capaz de manipular a fibra. Com capital de investimento para custos de desenvolvimento e cooperação com a industria papeleira não baseada na madeira, fornecedores de papel de canhâmo estão trabalhando para baixar o custo de seu produto e elevar a qualidade. No Brasil, devido a fatores favoráveis ao cultivo do canhâmo, sua produção em escala industrial permitiria o surgimento de um mercado promissor, inclusive e principalmente em escala internacional, melhorando o desempenho da balança comercial.

A primeira bíblia impressa foi em papel de canhâmo, assim como as constituição dos Estado Unidos da América. Estima-se que, no final do século 19, até 90% do papel usado no mundo provinha da cannabis.

Uma das empresas de canhâmo promissoras na decada de 90 é a Living Tree Paper Company, em Eugene no Oregon, que vende Tradition Bond™, um papel de canhâmo sem polpa de celulose feito nos EUA, o primeiro papel contendo canhâmo a se fabricado ( a partir do ano de 1955) nos Estados Unidos em bases comerciais. Usando uma mistura de canhâmo, esparto, subprodutos agricolas e refugos pós-consumo, A Living Tree oferece um papel que não usa árvores, alivia os depósitos de lixo já sobrecarregados e é significativamente melhor para o meio ambiente que o papel reciclado, que em geral contém menos de 10% de refugo pós-consumo.

As normas da EPA para a qualificação de um produto como reciclado exigem que ele use apenas 10% de refugo pré-consumo “recuperados” como fragmentos industriais, os restos de papel que são aparados na fábrica e reutilizados de todo modo como procedimento padrão. Portanto, um papel “reciclado” pode conter 90% de polpa de celulose virgem.  O lixo pós-consumo inclui jornais, revistas, papelão etc.. que precisam passar por uma destintagem antes de poderem ser convertidos em polpa; esse processo sujo envolve na verdade mais poluição que a manufatura do papel virgem. A polpa de celulose produz um terço de papel e dois terços de refugo. Com toneladas de papel feitas de fibra de celulose  virgem produzem cerca de cinco toneladas de lama , parte da qual pode ser usada como fertilizante. Cem toneladas de papel feito de lixo pós-consumo geram cerca de 40 toneladas de lama tóxica, de que é preciso livrar-se.

Publicado em junho 9, 2011, em Cannabis na Industria e marcado como , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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